Para mim e para eu, quando usar?

Oi filha querida,

Não tem jeito, quem se expressa mal, causa uma má impressão… Imagine as situações:

  • Um camarada todo bem vestido, quando abre a boca, só fala um Português errado, cheio de vícios e sem seguir a famosa norma culta da língua. Qual impressão que ele vai causar? Certamente uma péssima impressão!
  • Já um outro, vestido modestamente, se expressa bem, de forma coerente e mostrando que domina o idioma. Qual a impressão que esse último vai dar? Com certeza uma excelente impressão, ele vai reverter as expectativas iniciais!

Na prática, se expressar bem (na forma escrita e na falada) pode ser mais importante que se vestir bem…


Para mim / para eu

Bom, feita nossa breve introdução, vamos ao tema do post: o uso correto das expressões para mim e para eu.

É de doer os ouvidos quando escutamos o clássico “para mim fazer”, que está na mesma categoria do “nóis vai”. Assim, para proteger os ouvidos dos nossos amigos, temos que evitar erros como esses. Falar uma aberração dessas prejudica a reputação do falante de forma quase que definitiva.

Uma regra muito simples de se lembrar é que mim não conjuga verbo! Não se usa o pronome mim antes de verbo, nunca, de jeito nenhum. Vejamos a meiga e simpática conjugação do verbo cantar no Presente do Indicativo:

  • Eu canto
  • Tu cantas
  • Ele/Ela canta
  • Nós cantamos
  • Vós cantais
  • Eles/Elas cantam

Tem algum mim ali em cima? Não tem porque mim não conjuga verbo!!!

Os pronomes eu, tu, ele/ela, nós, vós e eles/elas são pronomes pessoais do caso reto, como já vimos. O mim é um pronome oblíquio tônico que vem normalmente precedido de uma proposição (para mim, de mim, por mim).

Exemplos:

  • Aquela tarefa é para eu fazer.
  • Quando eu estiver em casa pegarei a bolsa.
  • Aquela bronca serviu para eu não atrasar mais.
  • O que for para eu fazer, faço!
  • Ela foi fazer aquele trabalho para mim.
  • Traga aquela roupa para mim.
  • Volte por mim.

Do ponto de vista gramatical, o eu é sujeito de uma oração enquanto que o mim é objeto. O sujeito pratica a ação e portanto conjuga o verbo. Daí existir a regrinha: mim não conjuga verbo.


Exercícios (vamos fazer juntos)

  • Complete as lacunas com “eu” ou “mim”:

I. Eles partiram antes de _____.

II. Eles partiram antes de _____ partir.

III. Há alguma coisa para _____ fazer?

IV. Para _____, a seleção brasileira é a favorita.

V. Preciso de férias para _____ viajar.

A) mim – eu – eu – mim – eu

B) mim – eu – mim – mim – mim

C) eu – mim – eu – mim – mim

D) mim – mim – mim – eu – eu

  • Leia o texto e escolha a alternativa correta

Pra mim brincar

Não há nada mais gostoso do que o mim sujeito de verbo no infinito. Pra mim brincar. As cariocas que não sabem gramática falam assim. Todos os brasileiros deviam de querer falar como as cariocas que não sabem gramática.

As palavras mais feias da língua portuguesa são quiçá, alhures e miúde.

(BANDEIRA, Manuel. Seleta em prosa e verso. Org: Emanuel de Moraes.4. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986. P. 19)

Sobre o texto de Manuel Bandeira, é incorreto afirmar que:

A) O poeta desconhece a correta colocação dos pronomes “mim” e “eu”.

B) Poeta cuja obra situa-se cronológica e ideologicamente no movimento Modernista, Manuel Bandeira, assim como outros colegas modernistas, pensava a língua portuguesa como um instrumento a favor da construção da identidade cultural brasileira.

C) Apesar de conhecer as normas que regem a colocação pronominal, prefere o português que emprega o “mim” como sujeito antes de um verbo no infinitivo por acreditar que essa construção seja mais eufônica.

D) É possível observar que o poeta conhece a sintaxe dos pronomes quando ele relaciona o erro citado (mim antes do verbo no infinitivo) às cariocas que não sabem gramática.

  • Assinale a única frase correta quanto ao uso dos pronomes pessoais:

A) Para mim, Veneza é mais bonita do que Paris.

B) Fizemos os relatórios para mim apresentar.

C) Faça uma análise de consciência contigo mesmo.

D) Entre eu e você não existem diferenças.

E) Você não vive sem eu.

  • Julgue as proposições como verdadeiras ou falsas:

I. O pronome pessoal do caso reto “eu” não deve ser empregado antes de verbos no infinitivo.

II. O pronome oblíquo “mim” não deve ser empregado antes de verbos no infinitivo.

III. O pronome oblíquo “mim” pode ser empregado antes de um verbo no infinitivo desde que haja uma pausa (vírgula) entre os termos.

IV. O pronome pessoal do caso reto “eu” deve ser empregado antes de um verbo no infinitivo que indique uma ação.

A) V – V – V – F

B) F – V – V – V

C) F – F – F – V

D) F – V – F – V

Beijo do pai!

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