Expansão do islamismo

Oi filha querida,

Agora vamos continuar a conversar sobre o islamismo, desta vez sobre sua impressionante expansão.


Expansão do islamismo

A expansão dos árabes muçulmanos foi uma das mais fulminantes da História. Num curto espaço de tempo, os árabes conquistaram um império mais vasto que o Império Romano em seu apogeu. Observe o mapa a seguir (em inglês), com essa máxima expansão:

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Máxima expansão dos muçulmanos.

Os elementos que explicam essa conquista são:

  • Explosão demográfica dos árabes;
  • Atração pelo saque (botim);
  • Centralização política;
  • Fanatismo religioso.

Tembém devemos acrescentar a essa lista, a fraqueza dos adversários: o Império Bizantino e o Império Persa já vinham se desgastando numa luta secular; o Império Romano do Ocidente havia desaparecido; e os bárbaros germânicos, estavam todos demasiadamente enfraquecidos para conter os muçulmanos.

Após a morte de Maomé, as antigas inimizades que até então vinham sendo administradas por ele, tornaram-se mais evidentes.

A comunidade muçulmana estava dividida em quatro grupos principais. Cada um desses grupos, de uma forma ou de outra, se achava o legítimo sucessor do profeta. Como Maomé não havia determinado a forma de sucessão, houve uma sequencia de conflitos internos.

Mas, mesmo com as rivalidade internas, com os califas teve início a expansão muçulmana, motivada, principalmente, pela necessidade de terra férteis que o aumento populacional na Península Arábica exigiu.


Conquistas territoriais

As primeiras conquistas foram feitas pela dinastia haxemita, formada pelos familiares de Maomé, sendo Meca a capital do Islamismo.

Maomé unificara a Arábia em termos religiosos e seu sogro Abu Bekr (pai de Aisha), o primeiro califa, realizou a unificação política.

Califa é o chefe de Estado de uma comunidade islâmica governada pela lei islâmica. Tradicionalmente, um califa tem o mesmo status que um imperador.

Ornar, segundo califa, ampliou as conquistas, ocupando a Síria, a Palestina, a Pérsia e o Egito. Ornar foi assassinado pela família Omíada, que disputava o califado aos haxemitas. Ali, marido de Fátima, filha única do profeta, foi o último dessa dinastia.

Em seguida, os Omíadas controlaram o califado e mudaram a capital para Damasco; seu primeiro califa foi Otman. A dinastia Omíada impulsionou a expansão em direção ao Ocidente.

Depois de ocuparem o norte da África, os árabes, também chamados sarracenos, invadiram a Espanha, em 711, obrigando os visigodos a recuar para a região das Astúrias.

Mas os francos, chefiados por Carlos Martelo, impediram em Poitiers, em 732, que o avanço muçulmano ocupasse toda França. No entanto, todo o sul do país caiu em poder dos invasores, bem como as ilhas da Córsega, Sardenha e Sicília.

Por essa época, em Damasco, os Omíadas eram substituídos pelos Abássidas, que transferiram a capital para Bagdá. E, na Espanha, surgiu o califado independente de Córdoba. Teve início a cisão política do islamismo, que terminaria por se desmembrar em numerosos califados autônomos e conflitantes.

Mas a força dos árabes ainda perduraria por algum tempo: tomaram Palermo, em 830; Bari, em 840; e saquearam Roma, em 846. Assim, os muçulmanos assumiram o controle do Mediterrâneo. Só não dominaram o Adriático e o Egeu.

As comunicações dos cristãos através do Mediterrâneo foram bloqueadas, obrigando-os a navegar pelo Adriático até o porto balcânico de Zara, de onde se dirigiam para Constantinopla por via terrestre, através da Macedônia.

Das posições que dominavam em terra firme, os árabes faziam incursões contra as áreas dominadas pelos cristãos, causando a insegurança geral. A Europa encontrava-se, assim, isolada.

O restante das atividades comerciais que ainda resistiam depois das incursões germânicas desapareceu quase completamente. Obviamente, a economia européia sofreu bastante e a tendência à ruralização, que já era marcante desde o século V, iria agora completar-se.

Na Europa Ocidental prenunciava-se o sistema feudal; e o fechamento do Mediterrâneo pelos muçulmanos é um dos fatores explicativos do surgimento desse sistema.

A impressionante expansão dos muçulmanos pode ser ilustrada pela animação a seguir:

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Expansão dos muçulmandos até 655.

Guerra santa (jihad)

Jihad é um termo árabe que significa luta, esforço ou empenho. É muitas vezes considerado um dos pilares da fé islâmica, que são deveres religiosos destinados a desenvolver o espírito da submissão a Alá.

O termo jihad é utilizado para descrever o dever dos muçulmanos de disseminar a fé muçulmana. É também utilizado para indicar a luta pelo desenvolvimento espiritual.

Ao contrário do que muitas vezes é dito, jihad não significa uma guerra santa, no sentido literal. Implica mais numa luta interna com o objetivo de melhorar o próprio indivíduo ou o mundo à sua volta. Por outro lado, existem grupos extremistas que usam métodos violentos para transmitirem as suas ideias, mas esse não e o conceito original de jihad.

Durante a expansão muçulmana, entretanto, os guerreiros islâmicos, foram muito motivados pela necessidade de praticar a jihad (disseminar sua fé), pela crença no paraíso após a morte e pelas recompensas terrenas dos saques.


Islamização do norte da África

A islamização no continente africano se difundiu muito mais pelo comércio e pela migração do que por conquista militar.

O islamismo fez sua entrada no continente a partir da África do Norte (região conhecida como Magreb), do Egito ao Marrocos, sendo uma das primeiras regiões a ser conquistadas pela expansão inicial islâmica (séculos VII e VIII).

Dos séculos X a XVI, comerciantes muçulmanos contribuíram para o surgimento de importantes reinos na África Ocidental, que floresceram graças ao comércio das caravanas.


Conclusão

A expansão árabe, partindo de um emaranhado de tribos nômades, de um deserto remoto, para transformar-se no maior império do mundo, é um dos eventos mais impressionantes e dramáticos da história mundial.


Curiosidades

  • É comum ouvirmos expressões como São Paulo é Meca das compras ou Paris é a Meca da cultura. Meca acabou se tornando sinônimo de lugar que atrai muitas pessoas que compartilham de um mesmo objetivo.
  • Três dos quatro primeiros califas foram assassinados em função de conflitos políticos e de sucessão.
  • Parte dessas divergências no mundo islâmico e perduram até os dias atuais, na forma da rivalidade entre os xiítas e os sunitas.

Recorde seus conhecimentos assistindo o seguinte vídeo:

Beijo do pai!

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