Cotidiano e cultura islâmicos

Oi filha querida,

Como eu sempre repito, para entendermos uma civilização, precisamos estudá-la do ponto de vista político, econômico e social. Vamos conversar agora sobre a vida social e cultural no islã.


Relação com os povos dominados

Inicialmente, o domínio muçulmano não apresentava efeitos perturbadores sobre as populações conquistadas. Não havia perseguição religiosa por parte dos muçulmanos, que apenas exigiam que os não-muçulmanos admitissem a supremacia política do islã, materializada no pagamento de impostos, na proibição de qualquer pregação religiosa junto a muçulmanos e no caráter puramente árabe do exército.

Na verdade, as restrições pouco afetavam o cotidiano dos povos vencidos. Desta forma é fato é que a vida intelectual pôde florescer, tanto em Córdoba e Granada como em Damasco e Bagdá.


Cultura

As conquistas intelectuais dos árabes foram resultado da grande expansão por eles realizada, possibilitando o contato com diversas civilizações da época, como a bizantina, a persa, a indiana e a chinesa.

A tolerância dos muçulmanos para com os povos conquistados permitiu-lhes atingir grande progresso econômico e cultural, pois a combinação de elementos próprios com os de outras culturas, permitiu o desenvolvimento de conhecimentos e de técnicas valiosas até hoje.

A cultura islâmica influenciou muito a cultura medieval europeia.

Tecnologias
Exemplos de tecnologias introduzidas pelos árabes muçulmanos (aprendidos com os chineses e introduzidos no Ocidente):

  • Uso da bússola;
  • Fabricação do papel;
  • Fabricação da pólvora.

Agricultura
Os árabes defundiram o cultivo de produtos agrícolas, como:

  • Cana-de-açúcar;
  • Algodão;
  • Arroz;
  • Laranja;
  • Limão.

Arquitetura
A arquitetura é considerada a mais importante das artes sarracenas, destacando-se a construção de palácios, mesquitas e escolas. Entre os principais elementos arquitetônicos, contam-se os minaretes, os arcos em ferradura e as colunas torcidas. Na decoração, há profusão de motivos geométricos.

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Colunas que apresentam influência muçulmana.

Literatura
A literatura muçulmana recebeu grande contribuição dos persas, cuja presença se manifesta em As mil e uma noites, coletânea de contos, fábulas e aventuras, derivados das literaturas de diversos povos orientais.

Ciência
A ciência foi o campo em que os árabes mais evoluíram. Apoiados no legado grego, aprofundaram os estudos científicos, tornando-se notáveis matemáticos, físicos, astrônomos, químicos e médicos.

Foram responsáveis por muitos progressos na Matemática, com contribuições à Álgebra, Geometria, Trigonometria e Astronomia.

Os algarismos que usamos atualmente são uma herança indiana transformada e transmitida aos ocidentais pelos árabes, daí serem chamados arábicos. Até mesmo a palavra algarismo deriva da lingua árabe.

Desenvolveram ainda pesquisas sobre a refração da luz, criando os fundamentos da óptica.

Fizeram descobertas importantes para a química, como o carbonato de sódio, o nitrato de prata, os ácidos nítrico e sulfúrico, o álcool e muitas outras. Também foram eles os primeiros a descrever os processos de destilação, filtração e sublimação.

Na medicina, descobriram a natureza contagiosa da tuberculose e o diagnóstico de doenças como o sarampo. Avicena (980-1037), famoso médico da época, foi o autor do Canon, obra da ampla circulação na Europa até o século XVII.

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Gravura com as contribuições muçulmanas para a Ciência.

Filosofia
Na filosofia, preservaram os conhecimentos de Aristóteles e de Platão, que muito influenciaram o Ocidente europeu, especialmente durante a Baixa Idade Média.

Economia
O conhecimento das ciências econômicas contribuiu para o crescimento do Império Árabe, oferecendo suporte ao comércio, regulamentando as cartas de crédito, as companhias de ações etc. Assim também progrediram os grandes centros manufatureiros pelo império.

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O estilo mourisco (ao final da presença muçulmana na Europa) era muito rico em detalhes.

Organização social

O califado possuía quatro principais classes sociais:

  • Árabes muçulmanos;
  • Muçulmanos não árabes (povos conquistados pelos árabes muçulmanos);
  • Pessoas livres não muçulmanas;
  • Escravos.

Os árabes muçulmanos estavam no topo da sociedade e viam como governantes das áreas conquistadas. Apesar do fato de que o Islã ensina a igualdade de todos os muçulmanos, os muçulmanos árabes se sentiam superiores aos muçulmanos não árabes e, geralmente, não se misturavam com outros muçulmanos.

A desigualdade de muçulmanos no império levou a agitação social. Cada vez mais a população muçulmana foi constituída de não árabes. Isso gerou tensão, já que os novos convertidos não recebiam os mesmos direitos que os árabes muçulmanos.


Curiosidade

A cidade de Tumbuktu (no atual Mali) era, no século XIV, um núcleo urbano conhecido pelo alto nível de suas escolas islâmicas, que atraíam muçulmanos de várias partes do mundo.

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A Universidade de Timbuktu, no Mali, criada no século X, é uma das mais antigas do mundo.

Beijo do pai!

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