Formação dos Estados nacionais

Oi filha,

Vamos hoje conversar sobre o surgimento dos Estados nacionais, um tema muito interessante.

É meio complicado percebermos como a ideia de Estado nacional é significativa, pois hoje isso é tão natural que chegamos a achar que os Estados nacionais sempre existiram!

Na Europa de então não havia países na forma como conhecemos hoje. O que havia eram feudos, porções de terra controladas por nobres, completamente independentes umas das outras, com leis, impostos e até moedas próprias.


Autoridade monárquica

Ao longo da Idade Média, o rei era uma figura bem diferente daquela que costumamos imaginar. Os senhores feudais detinham um poder local que não se submetia a autoridade real. No máximo, o rei tinha influência política sobre os nobres que recebiam parte das terras reais.

No entanto, o renascimento das atividades comerciais e as revoltas servis, na Baixa Idade Média, mudaram significativamente a importância política dos reis.

Com o tempo, a autoridade monárquica foi se estendendo por todo um território definido por limites, traços culturais e idioma, três dos elementos que caracterizam um Estado nacional. Mas para o poder do rei se afirmar, foi preciso superar os obstáculos políticos que marcaram toda a Idade Média.


Desenvolvimento da burguesia

Também na Idade Média, os burgueses começaram a surgir enquanto classe social. Para os comerciantes, era interessante a formação de um regime político centralizado, pois as leis e impostos existentes em cada um dos feudos, dificultavam as atividades comerciais.

Além disso, não havia uma moeda padrão, complicando o cálculo dos lucros e dos preços das mercadorias.

burguesia
Pintura renascentista representando um burguês.

Autoridade da Igreja

Vimos que, na Idade Média, a Igreja concentrava grande poder e autoridade. A Igreja era proprietária de grandes extensões de terra, nas quais ela estabelecia leis e impostos próprios.

Para agravar, essa concentração de poder ameaçava a crescente da burguesia e a Reforma Protestante contestava a centralização de poder em Roma.


Crise nas relações servis

O final da Idade Média presenciou constantes revoltas dos servos contra os senhores feudais, com substancial queda da produção agrícola.

Ameaçados, os senhores feudais recorriam à autoridade real a fim de formar exércitos preparados para conter as revoltas camponesas. Assim, a partir do século XI, houve um aumento das atribuições políticas do rei.


Apoio da intelectualidade

Ao lado do apoio da burguesia e dos senhores feudais, o surgimento das monarquias absolutistas também teve apoio de ordem intelectual e filosófica. Os pensadores políticos da renascença criaram obras que destacavam o novo papel a ser desempenhado pelo rei.

Além disso, no campo religioso, a aprovação das autoridades religiosas se mostrava importante para que os antigos servos de senhores feudais se transformassem em súditos de um rei.


Centralização do poder

Para concentrar mais poder, o Estado monárquico procurou controlar os aspectos fiscal (imposto), jurídico e militar. Assim, o rei passou a ter autoridade para decretar leis, formar exércitos e criar impostos.

Com esses três mecanismos, monarquias mais centralizadoras foram se estabelecendo, contando com o apoio tanto da burguesia comerciante, quanto da nobreza feudal.

O apoio da burguesia foi essencial para os reis criarem exércitos mercenários que, inicialmente, eram apenas temporários. Ao longo dos anos esses exércitos foram se tornando permanentes, o que limitou o poder dos cavaleiros e dos feudos.

A formação de exércitos foi muito importante para que fossem fixados os limites territoriais e para que fosse imposta uma autoridade de ordem central.

Dessa forma, o rei passava a ter poderes para criar tributos que sustentariam o Estado e ao mesmo tempo, as moedas passaram a ter padrão de valor, peso e medida, de forma a facilitar o comércio e a cobrança de impostos.


Conclusão

O conjunto destas mudanças, que permitiram o rei decretar leis, criar impostos e manter um exército, possibilitou a supremacia política da figura do rei nos Estados europeus.

Assim no século XV, na maior parte da Europa, o poder político já não estava nas mãos dos senhores feudais, mas sim com o rei. A unificação por meio de um idioma, o respeito para com o rei e a idéia de pertencer a um país (Estado), e não mais a uma região, fortaleceram a criação dos Estados nacionais.

O poder absoluto estava concentrado no Estado nacional por meio de três recursos: o corpo de funcionários públicos obedientes ao rei, o estabelecimento de uma capital e a manutenção de um exército nacional fiel ao rei.

O rei sustentava seu poder por meio do direito romano e com resquícios do sistema feudal, governava de acordo com sua religião, mas sem se subordinar à Igreja.

Dessa forma, a monarquia nacional ou Estados nacionais foram estabelecidos em toda a Europa, exceto nas atuais Alemanha e Itália. Os nobres tornaram-se dependentes de favores reais e a burguesia se enobreceu.

No entanto, algumas características feudais foram mantidas nos estados absolutistas: a nobreza era a camada dominante, a servidão e o pagamento de impostos ainda eram mantidos em algumas propriedades.

As camadas sociais estavam divididas em clero, a nobreza, e a burguesia com as camadas. O rei ficava acima de todos.

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Estrutura do Estado Nacional absolutista.

Beijo do pai!

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