Escravidão no Brasil

Oi filha,

Agora vamos conversar sobre um traço marcante do Brasil Colônia e que tem reflexos até hoje na sociedade brasileira: o regime escravocrata.


Regime escravocrata

A escravidão no Brasil foi uma experiência de longa duração que marcou profundamente a nossa sociedade. A mão de obra escrava africana resultou num conjunto de valores da sociedade em relação ao trabalho, aos homens e às instituições.

A empresa colonial portuguesa, destinada inicialmente à produção de açúcar, demandava muita mão de obra, num trabalho exaustivo e por vezes complexo. Ao contrário das indígenas, as sociedades africanas já tinham nível desenvolvimento capaz de absorver as demandas da indústria açucareira. É importante observar também que o tráfico de escravos foi um grande negócio para a Coroa portuguesa e para outras nações europeias.

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Interior de um navio negreiro.

Os negros que aqui chegavam sofriam grandemente: as famílias eram divididas, a rotina de trabalho era exaustiva, as tarefas exigiam enorme esforço físico, havia punições frequentes e abusivas… Nas propriedades rurais, o tempo de vida de um escravo raramente ultrapassava os dez anos.

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A senhora e os carregadores de sua liteira.

O longo regime escravocrata também mutilou a visão de mundo da sociedade: a escravidão fez com que o trabalho fosse visto como uma atividade inferior. O trabalho braçal era visto como algo destinado ao negro e mesmo para as menores tarefas domésticas havia um escravo.

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Gravura com negros cortando madeira.

Resistência à escravidão

Mesmo estando o regime escravocrata firmemente estabelecido, houve diversas formas resistência contra ele, sendo as mais comuns:

  • Conflito direto: emboscada a feitores e senhores de engenho;
  • Sabotagem à produção dos engenhos;
  • Greves de fome (banzo);
  • Fugas dos engenhos;
  • Formação de quilombos.

Havia também uma forma de resistência mais sutil, por meio da preservação da religião, da culinária africana e da capoeira.

Chegava-se, por vezes, às formas extremas de resistência, como o suicídio, o infanticídio e o aborto.


Mitos

Hoje em dia se tem uma visão idealizada do período escravocrata, que contém uma sucessão de inverdades históricas. Agora é um bom momento de se acabar com esses mitos:

  • Já disse a você que não podemos analisar o passado com os nossos valores de hoje. Pois é, no período colonial, a escravidão era aceita como um estado normal de coisas. Um ser humano ser dono de um negro era tido como um fato comum e aceito pela maioria da sociedade.
  • Escravos alforriados que obtinham algum sucesso econômico se tornavam com frequência proprietários de escravos.
  • O maior traficante de escravos africanos foi fulado de tal, brasileiro e nego.
  • Os quilombos não eram uma ilha de liberdade em meio a uma sociedade escravocrata: assim como na África, havia escravidão dentro dos quilombos, os quais mantinhas relações econômicas com as comunidades vizinhas.
  • Havia escravos cultos, especialmente os islâmicos, que sabiam ler, enquanto que a maior parte dos senhores era analfabeta.
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Ama de leite carregando o filho do senhor.

Beijo do pai!

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