A crônica

Oi filha querida,

Na próxima prova irá cair um gênero textual chamado crônica. Trata-se de algo com o qual você vem tendo contato há muito tempo, pois quase todo texto que propus para você era uma crônica (veja um exemplo aqui e outro).


O que é uma crônica?

É um gênero textual com as seguintes características:

  • Fortemente baseado nos fatos do cotidiano;
  • Emprega uma linguagem literária, isto é, tem enfoque artístico, sem compromisso com a objetividade e com a transparência na emissão de ideias;
  • Emprega uma linguagem conotativa, sendo figurada e simbólica.

A origem da palavra crônica tem origem no Grego, chronos, que significa tempo. Dessa forma, uma das características marcantes da crônica é uma forte relação com o conceito de tempo.


Tipos de crônicas

Há diversos tipos de crônicas:

  • a Lírica: o autor relata com nostalgia e sentimentalismo;
  • a Humorística: o autor faz graça com o cotidiano;
  • a Crônica-ensaio: o autor, por meio da ironia, tece uma crítica ao que acontece nas relações sociais e de poder;
  • a Filosófica: o autor faz uma reflexão a partir de um fato ou evento;
  • a Jornalística: o autor trata de aspectos particulares de notícias ou fatos (políticos, sociais, políticos etc).

Em resumo, com a crônica, fatos simples do cotidiano podem ser recriados, resultando em reflexão, emoção e alegria.


Trabalhando com crônicas

Leia os trechos a seguir, apenas um deles foi retirado de uma crônica. Com base nos conhecimentos que você já tem, tente identificar qual deles pertence a uma crônica:

  • Começa hoje, em Belo Horizonte, o Festival Internacional de Bonecos
    2005, que levará, até o próximo dia 21, quinze espetáculos de companhias
    da Alemanha, Bélgica, Brasil, Chile e Peru aos palcos mineiros. Além da
    capital, onde acontece até o dia 15, neste ano o evento terá apresentações
    em Ipatinga (de 17 a 21/6).
  • Era um 15 de abril. O ano, 1865.
    Os dias de outono eram sempre assim: ensolarados, estagnados, previsíveis.
    Micaela bem cedo atravessou a cozinha principal, a varanda dos fundos e
    desceu a escada até o chão de terra batida. Sair da casa-grande pela portinhola
    dos escravos era o caminho mais rápido para atingir o seu refúgio matinal.
  • Sempre me disseram que a vida do homem se dividia em quatro partes:
    infância, adolescência, maturidade e velhice. Quase correto. Esqueceram de
    nos dizer que entre a maturidade e a velhice (entre os 45 e os 65) existe a
    ENVELHESCÊNCIA.

Sabe por que você foi capaz de identificar qual era o trecho da crônica? Porque você já sabe quais são marcas de composição e estilo das crônicas!


Estrutura da crônica

É um texto que mescla oralidade com o formalismo da língua culta. Mas também é um texto livre para trabalhar a comicidade, expressar opiniões, sempre partindo de um tema banal, do cotidiano.

A crônica oscila entre o universo literário e o jornalístico e costuma ser publicada em jornais e revistas.

Não podemos esquecer que a crônica segue o padrão dos textos narrativos, isto é, ela apresenta:

  • Personagens;
  • Tempo;
  • Espaço;
  • Narrador – 1ª (personagem) ou 3ª pessoa (observador).

E a crônica se desenrola da seguinte forma:

  • Introdução;
  • Conflito;
  • Clímax;
  • Desfecho – pode ser cômica, triste, alegre ou até mesmo trágico.

A linguagem empregada pela crônica mescla a linguagem padrão com a coloquial, mas vale lembrar que tudo isso depende da intenção do autor e da mensagem que ele pretende transmitir.


Exercícios

Leia com atenção a crônica Uma tarde em Buenos Aires…, de Rubem Braga e responda às seguintes questões:

  1. Quais os elementos do texto, que o caracterizam como uma crônica?
  2. Que tipo de crônica é esse?
  3. Quais os elementos do cotidiano que estão presentes no texto?
  4. Qual o tema banal a partir da qual a narrativa se desenvolve?
  5. O autor fala sobre tristeza ou alegria?
  6. Dê exemplos de ideias explícitas e implícitas no texto?
  7. Qual a mensagem principal transmitida pela crônica?

Observe que, para interpretar a última crônica, foi preciso:

  • Identificar o tema e as impressões do cronista sobre ele;
  • Distinguir os fatos que serviram de ponto de partida para as reflexões
    do autor;
  • Reconhecer o ponto de vista do cronista;
  • Perceber a conclusão dada pelo autor e confrontá-la com as identificações
    feitas anteriormente.

Curiosidade

Há, na família, uma excelente cronista, com textos publicados e premiados. É a sua avó! Duvida? Veja aqui.

Beijo do pai!

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s